terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

O NOSSO RIO...


Para te recordar, fui passear nas margens do “nosso” rio.
Porém, a paz que me trouxe a este lugar, já não a encontro. Como gosto deste sitio tão verde. Tão teu e meu!
Na água que corre apressada, vejo a tua imagem plena de luz. Também escuto as tuas palavras que sempre me seduziram e que agora voltam, reflectidas por um eco bem distante. Aqui, as flores ainda têm o mesmo cheiro silvestre. Os pássaros ainda cantam a melodia que te fazia adormecer no meu colo. Ainda sinto aquela cumplicidade, trocada entre um beijo e um abraço, um sorriso, um olhar, uma carícia…
Achei que, aqui, seria o local ideal para te esquecer. Como me enganei!
Ainda oiço o silêncio das coisas passadas, como quando tu perguntavas com um receio que nunca entendi:
- Que horas são meu amor?


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albino santos
(in "Quem sabe amanhã será Primavera...)

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

ESCREVO COM MÃOS NUAS...


Escrevo com as mãos nuas
sobre esta folha de papel sem fundo.
Sobre este musgo gélido onde escrevo
nem sequer existe o rumor da folhagem.
As palavras continuam assustadas
como um arbusto que não pára de tremer…

Escrevo com as mãos nuas.
A nudez, permite a transparência das sílabas,
o decantar das sombras na escadaria da noite,
a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
No olhar encandeado, há candelabros acesos
como um espelho polvilhado de estrelas.
O corpo deseja-se, invade a noite de seduções.

Mas não conseguirei nunca alcançar a luz
que pela primeira vez sagrou nossas pupilas:
gélido, será sempre o longe que nos afasta das estrelas.



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albino santos
@ Reservados todos os Direitos de Autor

sábado, 30 de Janeiro de 2010

ESCREVENDO E SENTINDO...


Quando escrevo,
no aceso toque da noite leve e invisível,
percorro o teclado com os meus dedos,
entre afagos tácteis e ardentes
como quem acaricia a tua pele…

Olho o monitor
e sinto-me envolvido pelo teu olhar.
Guardo o brilho dos teus olhos,
que beijam, falam e amam,
iluminando a noite em que te deitas…

Com o rato, vagarosamente deslizando,
perco-me na imensidão do teu ser,
num desvendar de espaços intermináveis,
como se invadisse as veias por onde corre o desejo…

penetras nos meus olhos,
brotas dos meus dedos,
e eu, deixo-me deslizar pelas sílabas do poema
para melhor te poder sentir
deslizar por entre as minhas mãos…



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albino santos
@ Reservados todos os Direitos de Autor

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

A NOSSA MELODIA...


Há melodias que nunca esquecem,
nem os ecos da distância
conseguem apagar.
Brotam na noite, plenas de fulgor.
Escuto-as. Como se me desses
a provar um pouco de ti.
Embalo-me nelas.
adormeço-as em mim
e sonho-as…
deixo-me tocar por elas
como se tu em mim tocasses.
O dueto perfeito;
Eu, tu… e cada um dos sons,
onde o desejo arde

incendiando o tempo,
dissolvendo a distância
entre nossos corpos ansiosos


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albino santos
@ Reservados todos os Direitos de Autor

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

ESTÁS DIANTE DE MIM...


Teus lábios cintilam o silêncio.
Vestes as sílabas,
mas elas ficam na varanda dos teus lábios
impregnadas de desejo,
num silêncio pervertido que grita na tua boca…

Que palavras secretas
precisam do silêncio para se fazerem ouvir?
Que carícias trazes nas mãos que me estendes?
Que frutos me ofereces ao alvorecer das pálpebras?

Perto ou longe de ti, a minha fronte assume
os raios decantados que sustentam o dia.
O amor resplandece no meu peito,
mas interrogo-me se não será um sonho
este clarão devastante que de mim se alimenta!




albino santos
@ Reservados todos os Direitos de Autor

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

SEDE...


A tua sede não perturba
o sabor dos versos!
Há uma fonte nascendo
sobre a poeira mais seca
que dá vida ao cantil.
Há rios secretos que não secam,
matando sedes e desejos
no curso estreito do caminho

Aproxima a boca da nascente.
Não te importes
se for apenas o silêncio
que te chega aos ouvidos…
encontrarás outra boca,
sedenta,
à distância da mais breve das palavras,
que se derrama em água
esculpida na tua sede!



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albino santos
@ Reservados todos os Direitos de Autor

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

PALAVRAS NUAS...


Tuas palavras
libertam
um fulgor que desnuda,
como um olhar oculto
no vértice da noite!
São fogo esparso
que se alastra,
docemente,
até queimarem os lábios
irreprimivéis…
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albino santos
@Reservados todos os Direitos de Autor