ROTAS CLANDESTINAS

que imaginárias linhas te orientam?
Que forças, que vontade, que vertente,
que marés, que navios, que sextante,
que maré desconhecida e imprudente
te conduz por essa rota tão distante?
És a grande equação duma viagem
que naufraga no meio dos meus braços.
Sem indícios de azul ou descoberta.
Que ao mesmo tempo oprime e me liberta
na rota clandestina dos teus passos.
Não sei onde se cruza o acaso e o destino.
Não sei por onde passa essa linha invisível
duma geometria desafiando o impossível,
reflectida nos meus olhos rasos de ânsia,
quando fito a vaga e proibida azul distância.
Mas sei que em cada rua há uma esquina,
entre o tédio e a rotina há uma abertura.
Há sempre uma hora de fogo e aventura,
há um mar imaginário em cada ensejo…
E hás tu, onde nasce o sonho e o desejo!...
Não me venham pois dizer que nunca mais!
Não me falem do rigor dos pontos cardeais!
Não me venham dizer que se acaba o infinito!
Estão aquém do sonho as leis que me ensinais…
É nas leis que há em mim que eu acredito!
E por mais que seja exacta a geografia,
depois de tanto tempo a esperar por um só dia,
nasceu dentro de mim um Sésamo dourado,
que há-de encontrar o teu nome nas marés,
num beco da cidade, num semáforo fechado,
num sentido proibido, em qualquer lado
há-de haver um olhar que me dirá quem és!...














