quarta-feira, 29 de Abril de 2009

QUEM SOU...

Sou uma alvorada de desejos vagabundos,
deslizando no teu corpo ardente.
Sou a leveza própria de asas que voam
espreitando todos os ventos
que me possam levar até ti.
Sou a síntese de todos os ecos!
O grito que calei
para que outros irrompessem.

Sou a íntima raiz do tempo
onde as palavras dormem docemente.
Sou a melodia que teus olhos tocam
por detrás das pálpebras… sorrindo!

Sou um pêndulo oscilante
vivendo entre tuas mãos...

Quem sou?
Sou o teu segredo de todas as horas,
uma constelação silenciosa
que explode na intimidade da noite
quando em poesia nos damos!


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albino santos

Reservados todos os direitos de autor

sábado, 25 de Abril de 2009

APENAS UM DIA...

Foi apenas um dia…
mas a saudade… essa,
ficou no luar branco de Janeiro
encharcando a noite.

Foi apenas um dia… único,
em que fomos felizes… ao menos uma vez.
Nossos lábios foram luz de um fogo sem limite,
renasceram em paixão,
pulsaram de vida,
reinventaram a noite

e o vermelho desabrochou no escuro!
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Ah!... como deslizavam os cisnes,
entre pedaços de luar reflectidos nas águas!

Mas saudades, moram agora no eco das sombras,
e as insónias dissolveram-se nas gotas de orvalho.
Há um sabor a pouco depois de tanto…
ficou sede de mais após tão pouco…
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Anoiteceu nos teus olhos.
A música do ar esvai-se com o vento

e o sono chega,
perfeito.
Apetece fechar a porta,
e numa lembrança de amor
dormir até que o luar perca o fulgor…


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albino santos
Reservados todos os direitos de autor


terça-feira, 21 de Abril de 2009

FLOR DE ABRIL


A FLOR DE ABRIL

Com flores, com perfumes, com canções,
com crianças correndo na avenida,
com lagartas, chaimites e canhões
e um cravo na G-3 gritando vida,

com os peitos arfando, e os corações
batendo de alegria desmedida,
subiam e desciam multidões
respirando a manhã reaparecida.

O corpo do meu povo estremeceu
ao ver a Liberdade ali, à mão,
como uma flor que, súbito, aparece.

E a flor da Liberdade, então, colheu,
colocando-a bem junto ao coração
para que Abril ali permanecesse.

FERNANDO PEIXOTO
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Fernando Peixoto, Meu Amigo! Deixo-te aqui este teu poema, que tantas vezes cantamos com o coração pleno de emoção! Quis o destino que continuasses a luta talvez em um outro lugar... quem sabe?... mas, estejas onde estiveres, sei que voltarás a sentir a mesma emoção, e o embaraço daquela lágrima furtiva que nunca conseguiste controlar... Lembras-te?
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25 de ABRIL... SEMPRE!...
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sábado, 18 de Abril de 2009

INTRUSO





O sonho não bateu à porta!
Abriu caminho por entre insónias,
com a ousadia das borboletas, que adormecem
na erva já ressequida, depois do último beijo.

Como sempre veio de imprevisto,
veloz como o voo de um pássaro,
silencioso como uma carícia.

Entrou sem que eu soubesse
e envolveu-me em volúpia e silêncio…

Quando dei por ele,
deslizei suavemente pela noite,
inventei a cor dos seus suspiros,
mas esqueci a cor dos seus olhos…

Apenas sei que escreveu poemas no meu corpo,
diluiu-se na minha seiva
e tal como chegou… partiu!

Ficou o sabor de um beijo na minha boca!

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albino santos
(in Madrugada sem Fronteiras)
Reservados todos os direitos de autor

terça-feira, 14 de Abril de 2009

POÉTICA


Eu faço versos como quem chora
de desalento… de desencanto,
de nostalgia… alguma dor.
Mas, se como agora,
não há motivo nenhum de pranto,
em cada sílaba eu canto amor…

Também meus versos são emoção,
riso, ventura, volúpia ardente,
saudade ausente, esparsa paixão;
Deixo então no verso o meu calor,
desejo insano, sempre presente
e em cada sílaba eu canto amor…

Mas nos meus versos de rima louca,
há um estranho gosto que me excita.
De verso em verso a vida corre.
Mas se o destino se engana, ou se dormita,
e colhe antes do tempo uma flor,
eu sinto um acre sabor na boca
e faço versos como quem morre
em cada sílaba eu canto a dor!
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albino santos
Reservados todos os direitos de autor

sexta-feira, 10 de Abril de 2009

AGUARDA-ME...


Tenho a alma vazia de ti
neste hálito que ainda te respira.
Aguarda-me!
Voltarei em forma de sonho,
como poesia oculta num beijo que parte,
derradeiro.
Brotarei das constelações e dos céus
na discreta eloquência do silêncio.
Nos olhos já cansados, verás um sinal de fogo
para que me distingas na noite por entre os pirilampos.
Aguarda-me!
Quero voltar a sonhar nos teus braços…

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albino santos

Reservados todos os direitos de autor




segunda-feira, 6 de Abril de 2009

ERUPÇÃO


Quero sentir a leve sensação
Do suave calor dos teus abraços,
O calor da tua mão em minha mão,
O descompassado bater do coração,
Este lume secreto que nos queima
E que descontrolado teima
Em lavrar em nós como um vulcão.

Quero sentir a doce erupção
De lava viva, vermelha, ardente
Incendiando esta paixão.
E no teu corpo incandescente,
Quero poder um dia semear
Uma bela e rubra semente,
Que nosso amor há-de fecundar
E dentro do teu peito germinar


albino santos
Reservados todos os direitos de autor

sexta-feira, 3 de Abril de 2009

A NOSSA MELODIA


Não te falo em rufar de tambores,
em quarteto de cordas,
em solos de saxofone,
em ecos de acordeon,
em realejos gemendo de cansaço.

Não te falo em violinos nas esquinas,
onde pulsavam serenatas
por dentro das madrugadas…

Não te falo em poesia de cordel,
em sonetos declamados nas praças…
Poemas imperfeitos
rascunhando em guardanapos
os sonhos já desfeitos
bordados no papel…

Não te falo em gemidos de guitarra,
em sinfonias para pianos de cauda…

Hoje, exijo silêncio,
para que possas ouvir o barulho
que pulsa dentro de mim
ao ritmo tectónico do bater do coração.
Essa, será a nossa melodia!...
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albino santos
Reservados todos os direitos de autor