terça-feira, 30 de Junho de 2009

É LONGO O MEU CAMINHO...

É longo o meu caminho
uma poesia ainda incompleta
e nem sempre sigo a mesma estrada.
Esta viagem que faço imaginada
se às vezes me alegra,
outras me inquieta

É longo o meu caminho
no avesso do céu
nem sempre o passo
se aligeira,
mas eu sigo persistente
os espelhos do destino
e vou em frente,
escultura transparente
como o chão que quase não sinto…

Neste rumo indistinto
feito visita, vou direito ao Sol…
Quando me arder
ofereço-lhe o meu nome.


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albino santos
* Reservados todos os Direitos de Autor

quinta-feira, 25 de Junho de 2009

DEPOIS DE MIM...


Depois de mim,
já não importam os olhos que despem certezas
e constroem o vazio dos espaços…
Depois de mim,
voltará a acender-se o desejo dentro de ti
porque sabes que amanhã já não volto…
Depois de mim,
sentirás os olhos ásperos e repartidos
por lábios tortuosos
de quem quer exibir obscenos sorrisos…
Depois de mim,
vaguearás no círculo infernal
de quem deseja a morte nas margens do silêncio,
transformando em grades o vaguear das sombras

Depois de ti…
Vou deixar a cidade,
embarcar em ondas insanas de vícios nocturnos,
como quem vive a noite em modorras sem destino!
Depois…
talvez fique á tua espera,
pronto a percorrer os recantos do teu corpo
e abandonar-me de novo á tua sedução…

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albino santos

*Reservados todos os Direitos de Autor

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

EU, TU E AS PALAVRAS...

Encontrei as palavras que fugiam!
Meu poema tem quantos versos quer.
Encontro agora no teu corpo de mulher
as palavras que há tanto se escondiam.

Tomado por súbito encantamento,
quando o primeiro verso me fulmina,
o meu próprio rosto se ilumina
como um raio rasgando o firmamento.

A dança das palavras recomeça,
dentro do poema há sempre espaço!...
Antes que o sol brilhe e amanheça
vou cobrir de poesia o teu regaço.


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albino santos
*Reservados todos os Direitos de Autor

domingo, 14 de Junho de 2009

(A) MAR

Sob as pálpebras do tempo
rasgamos a madrugada!
Invadimos as veredas da noite,
despimos nossos sonhos
por detrás das dunas,
onde o mar se acaba com a voz em fúria.

Será o cais do amor mais lascivo
ecoando delírios de fogo e sal,
num vai - vem de prazer
por entre as vagas!

Em marés de espuma e desejo,
nosso mar se derrama na mais densa onda!
Explosão de orgasmos
no fulgor de um relâmpago submerso…



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albino santos

*Reservados todos os Direitos de Autor.

terça-feira, 9 de Junho de 2009

TEMPO DE PALAVRAS

Vejo nos teus olhos
as perguntas que me consomem o tempo,
mas as palavras tuas
permanecem embrenhadas no silêncio!
Dir-me-ás um dia,
que foi em ti que descobri
o rasto intenso do desejo
que o tempo impreciso não escoou!
Dir-me-ás um dia,
que os teus olhos, presos à fonte
onde nascem as trevas,
ainda brilham, intensamente,
apesar da ausência!
Dir-me-ás um dia,
que o teu galope alado entre as estrelas
desenhou sonhos secretos

nas paisagens da eternidade!
Dir-me-ás um dia,
como ainda anseias

a oportunidade de uma carícia,
sucumbindo ao lume dos beijos
e ao poder da lingua aveludada!
Eu... dir-te-ei
que és tu que acendes a paisagem,
quando, em passos incertos,
vou à procura do que em mim ficou por achar!...



albino santos

*Reservados todos os direitos de autor

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

CELESTE INFERNO


Numa esquina deserta,
inventa-se um espaço
por onde correm as trevas.
O corpo luzindo, obsceno,
o fogo cingido ao corpo
na escassez do vestido,
as sílabas ciciadas,
o vagar com que a luz
inunda os olhos cheios de noite.

A mão vacila num aceno
almejando o riso da resposta.
As vozes cúmplices dos amantes
discutem o preço dos prazeres.
Incendeiam-se os devaneios,
o luar recorta os vultos
na sombra do portal.
A cama acolhe os corpos
na discreta rotina da noite.
O fogo, breve, ateia o peito.
Celeste inferno…
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albino santos
*Reservados todos os direitos de autor

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

MEU DESTINO... TEU MAR !...


O rio que nasce em mim
tem um destino,
uma ambição,
diluir-se na salgada imensidão!
Em ondas de branda altura,
no azul do teu mar
onde se perde o olhar,
onde se agita a ternura,
onde com chama diferente
arde a aurora e o poente.

Não foi preciso ensinar
às linhas de água corrente
que passam em minhas veias,
que entre mim e a nascente
as marés são sempre cheias...
Nossos corpos feitos de água
leitos feitos de desejo…
Gota a gota,
as margens cedem ao beijo,
o rio cresce, cresce,
encontra a sua rota
e nós ganhamos asas
de gaivota....


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albino santos

Reservados todos os Direitos de Autor